Arte com Coração

SE NUNCA FORES PARA A FLORESTA NADA ACONTECE!

Performance Artística, 12 dezembro 2015

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Esta peça nasce do trabalho que desenvolvemos com as nossas alunas, ao longo de um ano, revisitando a etapa de desenvolvimento que vai desde o nascimento até ao primeiro ano e meio de vida.

A floresta é o caminho fantástico do autoconhecimento, aquele que percorremos no nosso mundo interno enquanto interagimos com as solicitações do exterior.

De respiração em respiração, o ritmo nasce e desenvolve-se dentro de nós, complexifica-se criativamente e junta-se a outros ritmos, construindo uma história sobre o sentir, sobre o enfrentar os desafios do crescimento e da tarefa única que é pormo-nos de pé e relacionarmo-nos com o outro.

Nesta floresta, há muitos obstáculos e medos que frequentemente nos impedem de avançar com alegria e prazer, e de vibrar no máximo potencial.

Ao longo de todo o processo, dançaram várias vezes o seu próprio renascimento, com todas as emoções a ele associadas. Em cada um deles, repararam um pouco mais as suas feridas e desfrutaram do potencial que ficou intacto. Cada um desses momentos significou uma oportunidade de regeneração.

Assumindo-se como uma improvisação estruturada, esta peça constitui uma nova oportunidade de renascimento.

Nota: “Se nunca fores para a floresta, nada acontece!” é uma frase retirada do livro “Mulheres que correm com os lobos”, de Clarissa Pinkola Estés.

FICHA ARTÍSTICA

Conceção, Criação Ana Beatriz Degues, Maria Goretti Coelho

Interpretação e Cocriação Cristina Gentil, Inês Brito, Patrícia Churro, Rita Castelo Branco, Rita Matias, Rita Vilhena

 

O MUNDO MARAVILHOSO DE ALICE

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Há momentos muito especiais, quando todas as coisas se conjugam sincronisticamente!

Na nossa Floresta, houve magia e muitas sincronicidades! A Alice, no seu mundo maravilhoso, esteve presente a inspirar-nos, a lembrar-nos de como é ser criança, de como é estar no corpo!

Na floresta do mundo dos adultos, o retorno à infância é obrigatório! Temos como missão reconstituir os caminhos do corpo e da psique, que ficaram retidos algures num momento difícil da nossa história.

Na floresta do mundo dos adultos, o retorno à infância é obrigatório! Fazemos tudo para resgatar aquele sorriso, aquela paixão, aquela fé inabalável na vida, aqueles gestos espontâneos e a total vivência do fluxo!

Na floresta do mundo dos adultos, o espírito da criança está sempre presente, como um anjo da guarda, um guia ou um sábio intemporal.

Obrigada, Alice!

Texto de Maria Goretti Coelho

Nota: Este texto tem como fonte de inspiração o momento do ensaio geral da peça “SE NUNCA FORES PARA A FLORESTA, NADA ACONTECE!”.

 

ÚTERO QUENTE. FOGO CRIATIVO

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Útero quente. Fogo criativo da fecundação. Respiração intensa, em uníssono. Todas as células, juntas numa só. Uma só respiração. Um só coração.

Doce fogo. Labaredas que dançam e criam vida.

Cada ser individual ocupa o espaço da sua existência. Vulnerabilidade total. Todas as possibilidades. O milagre do nascimento.

Devagar, vêm as ondas no corpo. O pulsar é cada vez mais intenso. Assim nasce o ritmo. Batem as ondas, soam os trovões, tudo acontece milagrosamente dentro de um corpo. O empurrão para a vida é inevitável.

Luta titânica para estar de pé. Que beleza! Na entrega e na confiança, a coluna percorre o seu caminho para atingir a verticalidade! O corpo ondula, os olhos brilham. As mãos libertam-se para alcançar mais, muito mais da vida.

Neste processo, o momento de ficar nas próprias pernas e caminhar vem com as marcas de cada uma… Há alguém que, desde muito cedo, se segura sozinha … e vai. Vai velozmente e com determinação, com uma respiração que não chega ao seu fim. Tem que tomar conta. Não há ali ninguém que perceba que ela é ainda muito pequenina e vulnerável. Mesmo assim, ela vai.

Mas é possível renascer! A grande mãe que há dentro de si convida-a a continuar… chama as outras com o seu olhar de alegria e braços que simulam um voo. Dançam todas e brincam. Experimentam a individualidade. Imitam-se. Integram o que aprenderam. Dançam em liberdade. Buscam o encontro. Criam harmonia. Separam-se e caminham nos seus próprios pés.

A vida dá imensas oportunidades para renascer e redescobrir a alegria de caminhar sobre os próprios pés, para criar novos caminhos e para fazer o encontro e a separação, em harmonia. Podemos surpreender-nos!

Se nunca fores para a floresta, nada acontece! E a tua vida não começa!

Texto de Maria Goretti Coelho

Nota: Este texto tem como fonte de inspiração a peça “SE NUNCA FORES PARA A FLORESTA, NADA ACONTECE!”.

 

CUIDANDO-TE – Performance Artística, Arte com Coração

De respiração em respiração, o ritmo nasce e desenvolve-se dentro de nós, complexifica-se criativamente e junta-se a outros ritmos, construindo uma história sobre o sentir, sobre o enfrentar os desafios do crescimento e da tarefa única que é pormo-nos de pé e relacionarmo-nos com o outro.

Interpretação: Ana Beatriz Degues, Maria Goretti Coelho

Música ao Vivo: Mário Teixeira

 

CUIDANDO-TE –  Performance Artística

Conferência Internacional “Governação Integrada: a experiência internacional e desafios para Portugal”.

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O Dançar com o Coração esteve presente na Conferência Internacional “Governação Integrada: a experiência internacional e desafios para Portugal” nos dias 15 e 16 de outubro de 2015.

“CUIDANDO-TE”, performance – Arte com Coração, Espaço de Criação Artística, Projeto de Intervenção Comunitária foi apresentada no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, com interpretação de Ana Beatriz Degues, Maria Goretti Coelho.

 

CUIDANDO-TE –  Performance Artística

III Festival Internacional de Danza Duende

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O Dançar com o Coração esteve em Serpa, no III Festival Internacional de Danza Duende – Tempos de Mudança, com a coreografia emocional “Cuidando-te”. Maravilhosa música tocado ao vivo pelo músico Mário Teixeira. Um momento intenso e profundo.

 

CUIDANDO-TE – DOCUMENTÁRIO

Cuidando-te é um dueto interpretado por duas bailarinas, acompanhadas ao vivo por um músico percussionista.
É uma peça sobre o nascimento e a relação precoce, nos primeiros 18 meses de vida. O dueto (mãe/bebé) representa uma caminhada a dois, baseada no suporte e na presença empática, capazes de permitir ao bebé uma entrega, sem medo, desde a fase de dependência simbiótica até́à fase de diferenciação e individuação, respeitando o sentido do desenvolvimento psicomotor da criança e as suas potencialidades. Simboliza a recriação de um espaço emocional no mapa de desenvolvimento de um indivíduo.

Bailarinas: Ana Beatriz Degues, Maria Goretti Coelho
Música ao vivo: Mário Teixeira

Cuidando-te is a dance performance played by two dancers, accompanied by a percussionist musician live.
This play is about births and the early relationship, which is developed during the first eighteen months of human life.
The duet (mother/baby) represents a side by side walk, based on support and empathic presence, which will enable the baby to trust entirely and let itself go freely in a fearless way. This process will develop in a steady way from the very stage of symbiotic dependency up to the moment when differentiation and individualization occur, respecting the sense of the child’s psychomotor development and their potentialities. It symbolizes the recreation of an emotional space in the development map of an individual.

Dancers: Ana Beatriz Degues, Maria Goretti Coelho.
Live music: Mário Teixeira.

 

GÉNESE DE MIM

Da repetição à improvisação. Da repetição à transformação

Génese de Mim nasce de um processo criativo e de investigação, ao longo de um ano, sobre o período desafiante compreendido entre o primeiro ano e meio e os três anos de vida.

Nesta etapa de desenvolvimento, inicia-se a construção da identidade e emerge o potencial para uma corporalidade versátil e poderosa.

As nossas velhas defesas, misturadas com a sabedoria espontânea, são a estrutura sobre a qual edificamos a nossa identidade. Voltar a ela, repetida e conscientemente, permite-nos estar atentos a sinais no corpo que buscam saídas para novos movimentos. E, com eles, novos significados, transcendendo a história e aproximando-nos da génese.

Em Génese de Mim, situamos um momento na história pessoal de cada intérprete, revivendo velhas emoções. Estão em cena 5 histórias. Subjacente a cada uma está o conceito de desdobramentos do self, em que cada intérprete representa uma parte da pessoa cujo conflito está em ação. Cada uma desenha com precisão esse momento de vida no espaço, dança-o intensamente em cada ponto nevrálgico, até que algo de novo aconteça.

As palavras ficam aquém da beleza comovente de um corpo em transformação. É simplesmente belo assistir à metamorfose, a de finalmente alcançar o que há anos tem vivido interrompido – a expressão do seu potencial.

Não há mudança efetiva, sem que ela aconteça no corpo!

Dramaturgia da Peça

Cada intérprete dança a estrutura de movimento representativa do momento histórico de impasse, que a tem acompanhado até à atualidade. As cinco histórias são performadas em cinco sítios diferentes do espaço onde toda a peça se desenrola. O público é convidado a percorrê-lo, mergulhando nos temas emocionais que se repetem inúmeras vezes, numa tentativa de resolução.

Esgotado o tempo da repetição do script, as intérpretes deslocam-se para o espaço central das arcadas, que será o palco onde cada história é acolhida e revivida até à sua transformação. As histórias entrelaçam-se umas nas outras, e cada uma contém a chave para a seguinte.

“A Afirmação da identidade” dá voz à primeira cena, sendo um tema transversal a todas as histórias. Revela a multiplicidade de facetas que compõem o self, sempre em movimento criativo no seu processo de autorrevelação. É a força encorajadora que convida cada um a transcender-se a si mesmo e a assumir a sua autonomia.

Na história seguinte – “Esta responsabilidade não é minha” -, a relação simbiótica entre as gémeas é resolvida por aquela que, desde tenra idade, assumiu o papel de protetora das irmãs. Trabalho, rigor e organização fazem parte da estrutura desta intérprete. Pela força da repetição, surge o impulso de abandonar esse papel redutor, saindo da simbiose e resgatando outros papeis que também são seus por direito. Sair da simbiose implica ver-se a si e ao outro por inteiro e assumir a própria identidade. Só assim há condições para a gratidão e para o amor verdadeiro

“Mãos que cuidam” são a chave que transforma a tristeza solitária em ternura partilhada. São a segurança necessária para a vivência da alegria e do prazer, encerrados numa corporalidade poderosa. Halleluya de Leonard Cohen, em diálogo criativo com a percussão de Mário Teixeira, introduzem a irreverência que permite romper com as limitações. Só essa força permitirá o “Grito que Salva”.

Na quarta cena, o desespero transforma-se em raiva e em força assertiva, com a ajuda de alguém que já conhece essa força e que a valida. “Grito que salva” é um percurso doloroso que deixa para trás uma vida de reclusão em si mesma, abraçando uma visão de si totalmente nova, vertical, imprevisível, forte.

Todo este cenário agitado é o ambiente em que mergulha a quinta intérprete, tentando sobreviver a um medo e descontrolo generalizados, e ao seu próprio medo. O sentimento de impotência devolve o recurso precioso que é parar. Só “A pausa” tem o poder de transformar o medo em serenidade – a música tranquila da alma. Tornam-se claros os limites pessoais e o espaço vital. A pausa é, ao mesmo tempo, o desapego em relação ao que não se consegue controlar, e o momento de onde surge o insight. O fim liga-se ao início, fechando a gestalt.

Uma nota sobre a música.

A alternância de temas musicais conhecidos com música improvisada simboliza a integração da história de cada uma com o próprio processo criativo que é a vida e que permite a transformação, sem perder as referências pessoais.

FICHA ARTÍSTICA

Conceção, Criação Ana Beatriz Degues, Maria Goretti Coelho

Interpretação e Cocriação Ana Santos, Cristina Gentil, Inês Brito, Rita Vilhena, Patrícia Churro, Rita Matias

Acompanhamento Musical Mário Teixeira

 

GÉNESE DE MIM

Processo criativo e de investigação (versão curta)

Génese de Mim. Da Repetição à Improvisação. Da Repetição à Transformação.
Génese de Mim nasce de um processo de investigação, ao longo de um ano, sobre o período desafiante compreendido entre o primeiro ano e os três anos de vida.

Imagem e Edição: Ana Beatriz Degues

 

GÉNESE DE MIM – “GRITO QUE SALVA”

Nesta cena, o desespero transforma-se em raiva e em força assertiva, com a ajuda de alguém que já conhece essa força e que a valida. “Grito que salva” é um percurso doloroso que deixa para trás uma vida de reclusão em si mesma, abraçando uma visão de si totalmente nova, vertical, imprevisível, forte.

Criação: Ana Beatriz Degues e Maria Goretti Coelho
Cocriação e Interpretação: Cristina Gentil
Imagem: Filipa Coelho
Edição: Ana Beatriz Degues

 

GÉNESE DE MIM – “A PAUSA”

Um cenário agitado é o ambiente em que mergulha esta intérprete, tentando sobreviver a um medo e descontrolo generalizados, e ao seu próprio medo. O sentimento de impotência devolve o recurso precioso que é parar. Só “A pausa” tem o poder de transformar o medo em serenidade, a música tranquila da alma. Tornam-se claros os limites pessoais e o espaço vital. A pausa é, ao mesmo tempo, o desapego em relação ao que não se consegue controlar, e o momento de onde surge o insight.

Criação: Ana Beatriz Degues e Maria Goretti Coelho
Cocriação e Interpretação: Patrícia Churro
Imagem: Filipa Coelho
Edição: Ana Beatriz Degues

 

GÉNESE DE MIM – “ESTA RESPONSABILIDADE NÃO É MINHA”

Na história – “Esta responsabilidade não é minha”, a relação simbiótica entre as gémeas é resolvida por aquela que, desde tenra idade, assumiu o papel de protetora das irmãs. Trabalho, rigor e organização fazem parte da estrutura desta intérprete. Pela força da repetição, surge o impulso de abandonar esse papel redutor, saindo da simbiose e resgatando outros papeis que também são seus por direito. Sair da simbiose implica ver-se a si e ao outro por inteiro e assumir a própria identidade. Só assim há condições para a gratidão e para o amor verdadeiro.

Criação: Ana Beatriz Degues e Maria Goretti Coelho
Co-Criação e Interpretação: Inês Brito
Imagem: Filipa Coelho
Edição: Ana Beatriz Degues

 

GÉNESE DE MIM – “A AFIRMAÇÃO DA IDENTIDADE”

“A Afirmação da identidade” revela a multiplicidade de facetas que compõem o self, sempre em movimento criativo no seu processo de autorrevelação. É a força encorajadora que convida cada um a transcender-se a si mesmo e a assumir a sua autonomia.

Criação: Ana Beatriz Degues e Maria Goretti Coelho
Co-Criação e Interpretação: Rita Vilhena
Imagem: Filipa Coelho
Edição: Ana Beatriz Degues

 

GÉNESE DE MIM – “MÃOS QUE CUIDAM”

“Mãos que cuidam” são a chave que transforma a tristeza solitária em ternura partilhada. São a segurança necessária para a vivência da alegria e do prazer, suportados por uma corporalidade poderosa.

Criação: Ana Beatriz Degues e Maria Goretti Coelho
Co-Criação e Interpretação: Ana Santos
Imagem: Filipa Coelho
Edição: Ana Beatriz Degues

 

GÉNESE DE MIM – ACOMPANHAMENTO MUSICAL DE MÁRIO TEIXEIRA

A alternância de temas musicais conhecidos com música improvisada simboliza a integração da história de cada uma com o próprio processo criativo que é a vida e que permite a transformação, sem perder as referências pessoais.

Criação: Ana Beatriz Degues e Mário Teixeira
Música ao vivo: Mário Teixeira
Imagem: Filipa Coelho
Edição: Ana Beatriz Degues

 

DANÇAR COM O CORAÇÃO® – FROM GROUND TO VERTICALITY. FROM THE SELF TO THE OTHER. FROM WOMB INTO THE WORLD – A FLOW EXPERIENCE

16TH EUROPEAN CONGRESS FOR BODY PSYCHOTHERAPY/ CHALLENGES OF TODAY – ALIENATION, VITALITY, FLOW / September 6th to 9th 2018, Berlin

We all have, in our personal trajectory, marks of fear of abandonment, humiliation and, often, even of great impulses of pleasure. These are structured contractions in the body that perpetuate mind-body disconnection and dissociative experience.

Life is fundamentally pulsatory, an expansion followed by a contraction, and it was this experience that we provided in our workshop. In a gentle, sweet, undulating, progressively stronger way, we led the participants from the ground to verticality, from the centre of themselves to the line connecting them to the other, experiencing the gregarious instinct, individuation and the wonder of sharing.

All the work was initiated in the pelvis – the centre of the primordial force, home of the voice, the seed of the light that is reflected in the look, refuge of the vitality that expands to the extremities seeking contact. It makes the connection between the upper and lower parts of our body, integrating opposing forces – the one that roots us, and the other that elevates us, producing the flowing life experience. The pelvic floor is the inner mother where we can feed ourselves whenever we need, the source of our vitality and power, joy and pleasure. It is the safe ground that moves with us everywhere.

The immediate result was a gift to us: graceful movements, glitter in the eyes, sweetness in the voice, intimacy, commotion.

We thank the EABP for the opportunity to share experiences and knowledge with colleagues from all over the world, around such an essential subject in the panorama of the society in which we live. We are also grateful to colleagues who participated in our workshop, for their trust in us and for their total dedication to such a regressive and delicate work.

 

BOLAS COLORIDAS

Na visão expandida da criança há bolas coloridas que magnetizam a sua atenção. A criança funde-se e confunde-se com elas, num vai-vem de desejo de alcançar, qual motor de crescimento e de organização espácio-temporal. É enternecedora a entrega plena a um momento mágico que conta múltiplas histórias nos entretantos do jogo. Assim se transforma o corpo numa esfera fluida de energia e se pratica, num gesto simples, a essência do amor.

Método Dançar com o Coração® – Processo Criativo de Integração Psicocorporal

 

SINCRONISMOS

Quando as pessoas se conectam consigo mesmas, gera-se um fluxo facilmente captável por outros corpos, uma espécie de linha invisível que liga todos entre si e todos a tudo. A empatia corporal é uma realidade palpável que se manifesta em sincronismos irrepetíveis, onde se desenrolam afetos em cadeia e se constroem significados que as palavras não conseguem abranger. É a prova de que há olhos no corpo inteiro, sem que os encontros dependam apenas de uma busca consciente e racional. É uma coreografia não coreografada. Pode também ser obra dos neurónios-espelho que atuam silenciosamente, erguendo aprendizagens e construindo pontes. Nisto, o espaço é o terceiro elemento que ganha vida própria, influenciando e sendo influenciado. No repouso, ele ecoa as múltiplas histórias ali vividas, oferecendo-nos generosamente o seu resumo num doce lapso de tempo.

Dançar com o Coração® – Processo Criativo de Integração Psicocorporal

 

INSIDE OUT

Esta peça é o culminar de um processo de integração emocional e corporal dos intérpretes, desenvolvido ao longo de 4 anos, através de uma abordagem simultaneamente terapêutica e artística.

Alguns dos elementos do grupo iniciaram este trabalho mais recentemente, colocando os mais antigos como catalisadores de um certo atrevimento, chamando os mais novos a arriscar um pouco mais.

De certa forma, a presença de um grupo heterogéneo em termos de experiência, inspirou-nos a criar momentos de interação dinâmica entre os diferentes ambientes emocionais característicos das diferentes etapas de desenvolvimento psicológico. Quer isto dizer que todo o processo de grupo foi marcado por uma viagem de ida a momentos mais precoces e de regresso a estados mais atuais, conseguindo um pulsar (contração-expansão) que permitiu saltos verdadeiramente quânticos nos processos individuais de cada um.

Trabalhámos sobre os principais aspetos do desenvolvimento humano, tentando colmatar as falhas no processo de socialização e de abertura ao outro, tornando os nossos alunos mais capazes de sair das zonas de conforto das velhas referências, e aventurar-se no mundo.

A Comunicação é o tema central de Inside Out. A abertura do olhar, movida pela curiosidade e instinto gregário, é o fio invisível que os transporta do seu umbigo em direção a múltiplos encontros criativos.

Os movimentos contidos, circunscritos a um pequeno espaço, são seguidos de uma expansão, através de uma corporalidade ousada e mais complexa.

Esta peça é composta de ciclos alternados inside-out, onde o medo do desconhecido é vivido como um tempo de nutrição, servindo de base segura para a coragem de avançar um pouco mais.

O espaço cénico é caracterizado por uma área que representa o ambiente securizante e familiar, e outra – a mais próxima do público, que representa a saída para além da zona de conforto, onde poderá acontecer o inesperado. Quer os intérpretes quer o público terão oportunidade de criar algo que transcenda o que é habitual e conhecido.

Há dois momentos marcantes que iniciam a chamada para a ousadia – qualidade psicológica que permite a desconstrução dos registos habituais, mutiplicação de gestos e complexificação de linguagens, num desafio constante da capacidade de criar novas ligações.

Num crescendo de afirmação autêntica perante o olhar dos outros, a Voz aparece como a nota de expansão máxima da autoconfiança, onde também o público é convidado a participar.

A música improvisada de Mário Teixeira influencia e é influenciada pelos movimentos irrepetíveis dos intérpretes, imersos nos seus processos pessoais de transformação, traduzindo a simbiose perfeita que é gerada pelo estado de fluxo criativo.

É com muita alegria que nos arriscamos a trazer à rua, na mágica e histórica Vila de Sintra, a coragem de abraçar a vulnerabilidade enquanto reserva de força, confiança e criatividade.

FICHA ARTÍSTICA

Conceção, Criação Ana Beatriz Degues, Maria Goretti Coelho

Cocriação Ana Agapito, Ana Santos, Maria Abreu, patrícia Churro, Patrícia Pereira

Interpretação Ana Agapito, Ana Santos, Cristina Gentil, Maria Abreu, Mariana Catalão, Patrícia Churro, Patrícia Pereira, Pedro Fonseca, Rita Vilhena

Interpretação Musical Mário Teixeira Agradecimentos: Parques de Sintra – Monte da Lua